1 - Teu Vulgo Malvadão


Essa história se passa em uma favela onde Taemin é o dono da boca e chefe de tudo. Como ele se intitula o Malvadão, coloquei essa música de tema principal.

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Um labirinto de becos e vielas, com pequenas casinhas coloridas, construídas nas encostas de um morro tão alto que parece tocar o céu. Essa favela é um mundo à parte, e tem dono: Taemin.

Durante o dia, a comunidade fervilha. Crianças jogam bola, algumas garotas de bronzeiam nas lajes, vendedores gritam preços de espetinho de gato, caixas de som tocam funk no meio da rua... Há risadas, música, cheiro de comida caseira e vozes que falam uma por cima da outra. A favela é cheia de alma. Animada, quente, vibrante... E curiosamente segura.

Isso porque o dono dela a mantém segura assim. Ali não acontecem roubos, brigas entre vizinhos nem violência gratuita.
Porque todo mundo que frequenta a favela sabe: se fizer merda no morro do Malvadão, vai pagar caro.



 

Taemin comanda a comunidade toda com mão firme e olhar atento. Ele nunca precisava gritar, pois sua presença já é a lei do lugar. Ele decide quem sobe e quem desce, quem entra e quem sai, quem vende, mora... Até a polícia, quando tenta invadir, recua e respeita. Porque aquele morro tem dono, e o dono não perdoa.

A casa do Taemin tinha localização privilegiada. De lá de cima ele conseguia ver a favela inteira.




 

O respeito que ele impõe não é só pelo medo. É também porque, de certa forma torta, ele cuida. Ajuda famílias, paga o gás da dona Zuleica quando falta, banca o cursinho do filho do motoboy, dá brinquedo no Natal. Mas se alguém roubar dentro da favela? Some. Se alguém bate em mulher? Desaparece. O último que tentou estuprar uma menina, teve um fim tão triste que nem funeral deu pra fazer.

Taemin gostava do apelido que carregava "Malvadão". Bonito de um jeito que até incomodava seus rivais. Loiro e com um olhar fatal, daqueles que você não sabe se vai te beijar ou te enterrar.

 

Na cidade inteira, só se falava dele em sussurros. Era o chefe da boca, rei do morro, lenda viva entre os becos e causador de pesadelos.

Taemin era cruel na fala, frio nos negócios, dono de um charme arrogante que fazia até inimigo engasgar. E o desejo vinha logo em seguida. Homens e mulheres brigavam, mentiam e ofereciam o que tinham e o que não tinham só por uma noite com o Malvadão. Mas Taemin não se dava por essas pequenas coisas... Era ele quem escolhia a pessoa que iria pegar no dia. E quando escolhia, não era por acaso e nem mudava de ideia.

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O sol nem tinha nascido direito quando Lee Taemin já estava de pé, cigarro na boca, camisa aberta no peito e um som tocando música baixa. Sentado numa cadeira na laje de uma das casas da favela onde comandava tudo, ele observava o movimento lá embaixo com olhos afiados, calculistas. Ali, ninguém se mexia sem que ele soubesse.

Era terça-feira, dia de repasse da contabilidade. E na boca do Taemin, número errado no cálculo custava caro.

— Cadê o Japa? — Taemin perguntou, sem levantar a voz e sem olhar para o capanga, Minho, que estava ao seu lado.

Ele não gritava. Não precisava.

Em segundos, o homem saiu para buscar o gerente da biqueira. Todos sabiam: quando Taemin chamava, não se fazia esperar. O silêncio dele era mais perigoso que qualquer ameaça que eles poderiam ter naquela favela.

Logo Minho voltou com o tal do Japa, suado e com um caderno na mão que tremia.

— Tá aqui, chefe. Tudo certo com o giro da semana. — Ele entregou os números com as mãos vacilantes.



Taemin pegou o caderno, leu linha por linha, puxou um maço de dinheiro da sacola ao lado e entregou parte para o gerente.

— Continua assim. Mas se sumir dinheiro de novo, você já sabe o que acontece. — O Malvadão respondeu e o olhou com seus olhos perigosos.



Japa balançou a cabeça, engolindo seco. Sabia que da última vez que alguém tentou passar Taemin pra trás, o corpo foi encontrado sem os dedos, com uma bala cravada bem entre os olhos.

A rotina do morro seguia tranquila. Barulho de gente falando e rindo nas vielas e um rádio baixo comunicava que a polícia estava rondando a entrada da favela. Taemin estalou os dedos como aviso, e dois olheiros já começaram a avisar os outros funcionários que ficam nos becos. As crianças que jogavam bola e serviam de aviãozinho, mudaram de lugar. As armas eram recolhidas para os esconderijos seguros. Tudo camuflado em questão de minutos. Pronto, a polícia poderia fazer a ronda que não encontraria nada no morro do Malvadão.

Ele era respeitado, temido e admirado até por quem o odiava.
Na quebrada, diziam que ele já tinha matado mais homem do que a peste. Mas ali, sentado na sua cadeira, ele parecia calmo.
Tomava um café preto, fumava devagar, como se o mundo girasse no ritmo dele.

E girava mesmo.

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O dia estava quente demais pra qualquer ser humano sensato estar na rua, mas lá estava ele: de bermuda bege e camisa preta de marca, com um boné caro que parecia um letreiro dizendo: "sou de condomínio".

O garoto deu alguns passos vacilantes reconhecendo o local e tirou o boné, revelando os cabelos bem lavados que caíram ao redor do rosto. Ele era bonito, ele tinha pedigree.



Min Yoongi desceu do Uber olhando para os lados como se esperasse ser assaltado por fantasmas. Era a terceira vez que aparecia naquela boca, e ninguém ali sabia ao certo o que ele queria mais: a droga ou a experiência de socializar com marginais.

— E aí, chefia, o playboy voltou — Disse Onew rindo, um dos homens de Taemin, batendo no ombro de Key, que saiu correndo para subir na laje e avisar o chefe. Mas ele já observava tudo da sua cadeira no topo da casa.

— Preciso falar com o chefe daqui. — O cara falou para Onew, mas o chefe já tinha conseguido ouvir, apesar de Key estar levando o recado.



Aquele riquinho o intrigava desde a primeira vez que teve coragem de por os pés naquele lugar. Ele tinha aparecido uma vez para comprar e pagou certinho. Mas da segunda vez que ele apareceu atrás dos veneninhos, fizeram a troca rápido de forma discreta e quando conferiram o dinheiro que ele entregou, estava errado. Ele levou, mas pagou apenas por metade. Isso despertou raiva em Taemin, que odiava ser passado para trás, principalmente por moleques de boa família.

Min Yoongi era bonito de um jeito mais discreto. Cabelo preto liso caindo até os ombros, pele branca feito porcelana e uma boca que parecia feita pra provocar — mesmo quando ele estava só reclamando de calor ou de como o beco era sujo demais pro seu tênis de marca.

Tinha um jeitinho rabugento, mas isso acabava deixando ele um pouco fofo. E pra piorar, o filho da mãe era bem sexy. Sexy de um jeito despretensioso, meio inconsciente.

Yoongi era mimado e dava para ver isso na cara dele, era debochado e andava como se o mundo girasse ao redor do seu umbigo, e talvez girasse mesmo, porque até o Malvadão o notou. Ele era o modelinho de garoto que Taemin gostava para brincar.

Quando Taemin olhou para ele pela primeira vez, não viu só um riquinho folgado. O chefe da boca viu um desafio. Viu o que queria, escolheu sua presa. Yoongi ainda não sabia, mas já era dele.

Taemin observava tudo de cima da laje, como sempre. E naquela tarde, quando o tal Yoongi chegou e falou com seus capangas, ele decidiu que iria cobrar a dívida com juros.

O cabelo de Yoongi estava meio bagunçado, mas a cara era a de quem nunca levou um tapa da vida... E talvez estivesse precisando de um, pois ficou devendo Taemin e isso demonstrava que ele não tinha medo da morte.

— Senhor, o playboy voltou. — Key chegou correndo e avisou o chefe ofegante. — Ele disse que quer vê-lo.

— Traz o riquinho aqui pra cima. — O malvadão disse, sem desviar os olhos.

Cinco minutos depois, Yoongi subia a escada estreita até a laje, resmungando sobre algo que Taemin não conseguiu ouvir. Quando chegou, deu de cara com Taemin. Ele parou e piscou algumas vezes como se pensasse no que fazer.

— Você é o chefe? — Perguntou, com a petulância de quem achava que estava numa série da Netflix. Vivendo uma aventura na ficção.

Taemin não respondeu. Só acendeu um cigarro, jogou a fumaça pro lado e olhou o riquinho de cima a baixo... Ele era bem gostosinho e estava no seu território. Qualquer coisa que Taemin quisesse ali, ele teria.

— Tá devendo, playboy. De duas semanas atrás. Sumiu antes do meu cara conferir... E faltou dinheiro. — Taemin o olhou com aqueles olhos cortantes que deram um frio na espinha de Yoongi, mas ele manteve a pose.

— Ah, isso... Então, eu juro que... Olha, foi uma confusão! Eu achei que tinha deixado o dinheiro todo. Posso passar agora o que faltou! — Disse, sacando o celular. — Eu só peço que tire seus homens de traz de mim! Eles estão me seguindo e me vigiando em casa e na faculdade.

Taemin estendeu a mão o mandando parar de digitar.

— Esquece. Não quero pix nem transferência de você.

Yoongi parou no meio do movimento, o celular no ar já abrindo o aplicativo do banco. Ele olhou para o loiro sem entender o que estava acontecendo, e teve medo de Taemin decidir que matá-lo seria mais divertido do que receber o dinheiro que faltava.

— Então... o que você quer? — Yoongi perguntou vacilanete.

Taemin se levantou da cadeira tragando o cigarro mais uma vez e, em um movimento lento porém ameaçador, ele sacou a arma. Ele olhou seu reflexo no metal antes de olhar nos olhos de Yoongi. Era como se conferisse se estava bonito o bastante.



Taemin deu alguns passos e se aproximou, até estar a poucos centímetros do rosto de Yoongi. O sorriso dele era discreto, e cruelmente charmoso.

— Até ontem eu queria o seu dinheiro. — Taemin respondeu segurando a arma, sem a apontar para Yoongi. — Agora não quero mais. Dinheiro eu tenho bastante.

— Não quer mais? — O playboy perguntou com os olhos arregalados, sem piscar. — Então o quê...?

— Quero você.

— Como é? — Yoongi engasgou assustado.

— A dívida agora é a tua bunda, riquinho. Literalmente. — Taemin riu e a risada dele provocou arrepios. — Vai me pagar na carne.

Yoongi piscou várias vezes, tentando processar.

— Espera... isso é uma piada? Tipo... você tá me zoando, né?

Taemin virou de costas, ainda sorrindo.

— Não brinco com dívida, Yoongi. E menos ainda com coisa que eu quero.

Ele parou, olhou por cima do ombro, os olhos estrelados, brilhando de excitação e diversão.

— Cara, esquece isso! Eu nem sei teu nome. É Taemin? — Yoongi perguntou recuando devagar.

— Não me chama pelo nome. Me chama pelo apelido. Na tua boca eu sou o vulgo Malvadão. — Taemin sorriu fumando o final do cigarro e o jogando no chão para apagar com um pisão. — E eu já decidi. Você vai ser meu.

Yoongi, ainda paralisado, sussurrou pra si mesmo:

— Puta que pariu... eu tô ferrado.

Ele olhou ao redor, imaginando se conseguiria fugir dali, mas estava na laje do chefe do morro e só existia uma escada para descer, onde estavam dois ou três homens esperando. Nunca, em hipótese alguma, Yoongi conseguiria sair correndo e ainda chamar um uber para o buscar.

— Minho! — Taemin gritou chamando o capanga sem tirar os olhos dele e sorriu quando Yoongi se assustou.

O homem era alto e forte, parecia um segurança do traficante. Ele se aproximou rapidamente e se colocou à disposição.

— Aqui.

— Vou entrar com o playboy. Quero mostrar a casa para ele... — Taemin comunicou.

— Pode deixar.

Minho tirou uma arma que estava na parte de trás da calça e andou até Yoongi. Ele fez um gesto com a cabeça indicando a escada por onde precisariam descer e o playboy viu Taemin sair andando na frente.

Ele andava como um gato malandro por cima dos muros. Era elegante, mas era frio. Os caras que estavam protegendo a saída, abriram espaço para o chefe descer os degraus e Yoongi sentiu o cano da arma de Minho em suas costas o cutucando para andar.

Yoongi ainda estava tentando entender como tinha saído do asfalto limpo da zona sul e ido parar dentro da casa de um traficante perigosíssimo — mais especificamente, nos aposentos particulares do vulgo Malvadão.

Ele andou atrás de Taemin, passando por um corredor até finalmente chegar. A casa era comum por fora, mas por dentro... Era outra história. Piso de madeira escura, móveis caros, tudo muito limpo e estranhamente organizado. A única coisa que destoava era uma pilha de armas sobre um aparador, como se fossem chaveiros. Ele não tinha apenas revolveres e pistolas, mas tinha armas maiores como mini-uzis e outros modelos de rajada.

— Senta aí — disse Taemin, apontando com o queixo pro sofá de couro preto que ficava no meio da sala.

Yoongi sentou. Meio tenso, meio curioso. Ele assistiu Minho sair pela porta que entraram e a trancar, então aparentemente agora eles estavam só os dois ali.

Taemin foi até um bar no canto da sala e pegou uma garrafa de whisky caro.

— Você toma puro ou é fresco?

— Eu sou fresco. Mas vou tomar o que você quiser. — Respondeu Yoongi ansioso. Ele faria de tudo para negociar a sua soltura.

Taemin riu. Era até um pouco raro ele rir assim, mas alguma coisa naquele pirralho de condomínio o divertia mais do que devia. E hoje ele estava rindo mais do que o normal.

— Pelo menos é um fresco sincero. — Ele disse, servindo os dois copos.

Enquanto isso, ainda com a arma na mão Taemin começou a tirar a camisa devagar. Primeiro abriu os botões, um por um, como quem sabia exatamente o que estava fazendo. Depois ele deixou o tecido cair pelos ombros, revelando um corpo seco, mas definido como escultura. Todos os músculos dele marcavam na luz daquela sala.



Musculoso na medida certa, os braços fortes, os ombros largos, o abdômen riscado como se fosse desenhado à mão. Ele tinha um olhar que agora parecia menos perigoso... e mais interessado.

Yoongi engoliu em seco. Tentou desviar os olhos, mas não conseguiu. Taemin colocou a arma na parte de trás da calça e pegou o copo de whisky, dando um gole longo antes de olhar para Yoongi.

— Tá olhando o quê? — perguntou Taemin, já com o copo na mão e uma cara de desconfiado. Ele não estava para brincadeira.



— Só tô tentando entender como alguém como você sobrevive em meio a tiroteios... — Yoongi sorriu olhando para o chão.

— Alguém como eu...?

— Você é bonito para ser um bandido perigoso. É difícil imaginar que você escape ileso nas guerras de facção. — Yoongi falou ainda sem olhar para Taemin.

— Fácil. Eu atiro primeiro.

Ele terminou de tirar a camisa e ficou apenas de calça naquela sala com Yoongi.



Yoongi levantou os olhos para olhar Taemin tomando um gole de whisky e seus olhos teimaram em descer para o peito dele.

Era difícil não olhar.

O riquinho desviou os olhos, virando o rosto nervoso e tomou a sua bebida também, tentando não reparar muito no corpo do homem forte que estava na sua frente. Ele se obrigou a lembrar que aquele cara poderia acabar com ele muito fácil.

Como se ouvisse os pensamentos de Yoongi, o traficante falou ameaçador:

— Você sabe que eu posso te matar agora, não sabe? — Taemin sacou a arma e apontou para os olhos de Yoongi.



— Sei.

— E sabe que se eu te matar aqui, ninguém nunca vai descobrir o que aconteceu com você nem achar seu corpo, não sabe? — Taemin completou sorrindo e o olhando com olhos de águia.

— Sei... — Yoongi falou nervoso.

— Mas você deu sorte. Eu não quero te matar ainda... Cabe a você escolher com sabedoria, para que eu continue assim ou decida que você não serve mais para mim. — Taemin tomou mais um gole de whisky o olhando e guardou novamente a arma no cós da calça.

Tomaram o whisky em silêncio por alguns segundos. Yoongi pensando em como manter uma conversa para convencer o Malvadão a deixá-lo ir embora ileso.

— Então... — Disse Yoongi, tentando recuperar o controle da conversa. — Essa cobrança aí... É séria mesmo?

— Eu pareço de brincadeira? — Taemin se aproximou, encostando no encosto do sofá, perto demais.

— Não — Yoongi respondeu, baixinho.

Taemin passou um dedo pela borda do copo de Yoongi, sem tirar os olhos dele.

— Você ainda não entendeu, né? Você já tá me devendo, playboy. E eu cobro do meu jeito. — Taemin sorriu e virou a cabeça um pouco de lado, como se brincasse com ele. — No meu morro, eu decido tudo.

Yoongi sentiu o rosto esquentar. Mas não era só medo. Era algo pior.... Ou algo melhor.

Taemin se posicionou até ficar de pé entre as pernas de Yoongi, que ainda segurava o copo de whisky com as duas mãos, como se isso fosse impedir que o bandido o tocasse.

— Essa tua boca — disse o Malvadão, com a voz baixa e firme.
— Desde que eu te vi, só consigo pensar nela.

— Minha boca? — Yoongi piscou, surpreso. Quis responder mais, mas nada saiu.

— Sua boca. Você tem boca de chupar rola. — Taemin sorriu ao falar, olhando para os lábios do playboy. — Ela parece uma delícia...

— Cara, eu não fico com homens... Podemos resolver isso de outra forma? — Yoongi olhou surpreso para ele, o coração batucando dentro do peito. — Podemos negociar...?

— Negociar? — Taemin gargalhou e segurou o rosto dele com uma mão, o forçando a olhá-lo nos olhos. — Você acha que eu "negocio"? Eu mando.

Yoongi estava hipnotizado pelo olhar dele, aquele olhar frio que ficava entre o perigo e o desejo, que fazia o ar parecer mais denso. O coração do homem acelerou e agora, com Taemin segurando o seu rosto, parecia que ele poderia morrer a qualquer momento.

Taemin abaixou os olhos para o colo de Yoongi, que se retesou no lugar. Mas ele simplesmente estava olhando o copo de whisky que o riquinho segurava com as duas mãos. O bandido, devagar, tirou o copo das mãos de Yoongi, e o deixou sobre a mesinha da sala junto ao seu. Depois, ele virou novamente de frente e segurou o queixo dele com uma firmeza suave.

— Sabe o que mais me deixa louco? — Taemin perguntou, arrastando o polegar pelo canto da boca do outro.

— É que você tem essa cara de mimado... Mas eu sei. Eu sei que tem um diabinho morando aí dentro, só esperando a permissão pra sair... — Taemin sorriu e mordeu o lábio inferior. — E eu estou dando essa permissão hoje.

Yoongi sentiu o corpo inteiro arrepiar. O calor subia da barriga até o rosto. A respiração ficou curta. Taemin aproximou o rosto, os lábios a milímetros do seu ouvido.

— Usa essa boca bonita para me dar prazer, Yoongi.

Não era um pedido, era uma ordem. Baixa, lenta e carregada de tesão. Taemin estava cobrando a dívida com a carne de Yoongi literalmente, mas de uma forma ou de outra, o medo que existia no peito do playboy se misturava à excitação.

— Eu... Eu não...

— SHHH! Cala a boca! — Taemin falou alto arregalando os olhos. — Ou então eu te faço calar.

 

Foi uma ameaça? Mas para Yoongi aquilo estava interessante.

Taemin colocou uma mão atrás do corpo e quando a trouxe de volta foi segurando a Glock preta. Ele encostou o cano da arma no queixo de Yoongi enquanto sorriu para ele.

— Cala a boquinha, bebê. — Ele repetiu rindo, agora com a arma apontada para ele.

Yoongi estava confuso. Ele nunca esteve tão perto da morte. Com o movimento de um dedo Taemin poderia tirar a sua vida. Mas ao mesmo tempo que a morte era iminente, Yoongi sentia vontade de que Taemin o beijasse, porque ele mesmo não teria coragem de fazer isso.

Taemin ficou de pé entre as pernas de Yoongi, sem tirar a Glock da sua cara. Hora encostada na testa, hora encostada na bochecha. O traficante sem camisa ficou esperando que Yoongi tomasse a iniciativa.

O riquinho mordeu o lábio, dividido entre o impulso de retrucar com alguma coisa e o impulso — muito mais forte — de obedecer ao chefe do morro. Ele levantou os olhos, encontrando os de Taemin. Estavam escuros de desejo por causa da pupila dilatada. Aquele homem gostava do controle e gostava ainda mais quando alguém se entregava a ele sem lutar, quando a presa reconhecia que não tinha chances.

Yoongi se inclinou pra frente, os dedos tocando a cintura de Taemin. A tensão entre eles parecia elétrica. Ele sorriu de canto.

— Você riu? — Taemin retrucou imediatamente.

— É que... Talvez você se surpreenda.

— Você não disse que não fica com homens?

— Disse que não fico. Não disse que "nunca fiquei". — Yoongi respondeu.

— Você tá tirando sarro da minha cara, mimadinho?? — Taemin se irritou e apertou a Glock contra a bochecha dele. — Você acha que está em posição de brincar?

— É que... — Yoongi respondeu devagar olhando o traficante nos olhos. — E se eu quiser fazer isso só pra te ver perder o controle?

Taemin soltou uma risada baixa e rouca, mas gostou da ousadia dele. Parece que o garoto tinha aceitado entrar no jogo dele.

— Eu nunca perco o controle. Eu sou o controle. — Taemin estreitou os olhos para ele como se aceitasse o desafio. — E digo mais... Se você começar, não tem mais volta. Não pode arregar.

Yoongi ergueu uma sobrancelha, desafiador. O coração dele parecia que ia sair pela boca. Nada na vida dele nunca foi tão excitante e perigoso assim.

— É difícil eu voltar atrás. — Ele falou e segurou firme o cós da calça de Taemin abrindo o primeiro botão.

E ali, naquele sofá, o jogo virou mais do que só uma cobrança de dívida. Virou um jogo, uma disputa.

Enquanto Yoongi hesitava e abria as calças de Taemin devagar, o bandido girou a Glock nos dedos com habilidade, como quem fazia aquilo desde sempre. Yoongi engoliu em seco.

— Sabe o que eu mais gosto nessa arma? — Perguntou Taemin, com a Glock encostando no nariz de Yoongi.
— Ela não discute. Não hesita. Só faz o que eu mando.

A tensão na sala era carregada de desejo, e agora se misturava com um medo estranhamente excitante. Taemin olhou Yoongi nos olhos, o sorriso torto nos lábios.

— Beija ela.

— Quê? — Yoongi franziu a testa, confuso.

— A Glock. Quero ver essa boca linda beijar ela... Beija, riquinho. Mostra pra mim como você se entrega quando eu peço.

Yoongi ficou imóvel por alguns segundos. A ideia era insana, quase absurda. Mas alguma coisa dentro dele — talvez o instinto de sobrevivência, talvez pura luxúria — fez com que ele se inclinasse devagar em direção à pistola preta que Taemin segurava no seu rosto.

Taemin virou a arma na direção dele, apontando o cano a sua boca. Yoongi segurou a Glock com as duas mãos, com mais delicadeza do que se segurasse uma taça de cristal. Ele acabou segurando a mão de Taemin junto, pois ele não tirou nunca o dedo do gatilho. Um passo em falso e ele explodiria o céu da boca de Yoongi.

O riquinho olhou pra Taemin, esperando uma última chance de recuar, esperando que o bandido desistisse disso, mas o olhar do Malvadão só dizia uma coisa: obedece.

E Taemin usou a voz para reforçar o que seu corpo já estava falando:

— Obedece o chefe da porra toda.

E ele obedeceu. Encostou os lábios no cano frio da arma, devagar.
Primeiro um selinho. Depois um beijo demorado, quase sensual, como se estivesse marcando território com a própria boca.

Taemin assistia em silêncio, os olhos fixos no movimento que a boca de Yoongi fazia. O prazer em seu rosto era quase indecente. De repente o Malvadão estava baixando a guarda e respirando mais pesado.

— Merda — Taemin murmurou ansioso. — Como é que um riquinho mimado igual você consegue me deixar duro só beijando uma arma pra eu assistir?

Yoongi levantou os olhos para encarar o bandido. Ele não arriscou parar de beijar a Glock, pois teve medo de irritar o homem.

— Usa a língua. — Taemin mandou. — Eu quero ver se você sabe usar ela gostoso...

A voz do bandido estava mudando. Estava mais grossa e pesada, como se ele estivesse se enchendo de tesão.

Yoongi o encarou com o olhar meio atordoado, meio incendiado. Ao mesmo tempo que aquilo tudo era inesperado, parecia um grande fetiche. A adrenalina de ter seus miolos na parede a qualquer momento, lhe dava ainda mais vontade de chupar o cano da arma do dono do morro.

— Talvez eu te deixe duro apenas beijando sua arma... Porque eu não sou só um riquinho mimado, Taemin. — Yoongi falou e deslizou a língua no cano da pistola preta o olhando.

— Não me chama assim. Na sua boca eu quero ter outro nome.

— Malvadão...?

Taemin sorriu, apesar dos olhos estarem fixos na boca de Yoongi. Ele mal piscava assistindo a língua dele passear pela Glock de estimação.

— Chupa... Como se fosse um pau. — Taemin murmurou. A voz dele estava embargada de tesão.

Yoongi obedeceu e enfiou o cano na boca lentamente. Taemin assistiu aquilo e franziu as sobrancelhas sentindo como se fosse nele.

— Sabe quantas vidas essa arma já tirou...? — Taemin falou com uma voz baixa e rouca.

Yoongi balançou a cabeça em negativa, sem parar de chupa-la.

— Nem eu sei... Perdi as contas... Não tem medo que ela tire a sua também...?

Yoongi novamente balançou a cabeça negando. Ele tirou a boca da arma e então falou:

— Você vai me deixar ir embora depois... Não vai? — Yoongi o olhou nos olhos como se pedisse por favor. E em um truque barato ele lambeu o próprio lábio que estava sujo de saliva.

— Se eu gostar de brincar com você... Talvez eu queira que você fique mais. Pelo menos até eu terminar de te usar.

— Então você tá mais ferrado do que imagina... — Yoongi respondeu sorrindo de leve. Não era só o bandido que estava de pau duro naquela sala.

Taemin largou a arma na mesa com um baque e puxou Yoongi pela nuca.

— É. Acho que eu tô mesmo. — Taemin respondeu.

E foi o Malvadão quem beijou o riquinho. Como Taemin disse, se Yoongi começasse, não teria mais volta.

Realmente.

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